segunda-feira, 24 de março de 2014

Sobre Nintendos e Estética


(Por Lucas Marchese Soares)

Meu pai, por sorte minha, sempre foi, e ainda é, um grande fã de games. Umas das minhas lembranças favoritas é a de passar tardes e tarde ao seu lado, assistindo-o jogar diversos jogos no sofá da sala. Não entendia muito bem o que era aquilo, ou como funcionava, mas como era bonito de ver todos aqueles pixels na tela seguindo os comandos que ele dava pelo controle. Todas aquelas cores contrastantes e quadradinhos, que, juntos,  formavam um mundo tão longe do real que só aumentava minha vontade de explorar tudo aquilo nos mínimos detalhes.
O primeiro videogame que tive foi um Super Nintendo, herdado do meu pai. Depois de tanto tempo apenas aproveitando a experiência de forma passiva, finalmente o controle estava na minha mão. Tudo aquilo parecia mágica pra mim. Eu era um herói medieval, um piloto de avião, um macaco de gravata ou até um encanador italiano acima do peso. Todos aqueles mundos 2D, histórias e personagens até hoje me fascinam.




Alguns anos depois, após passar a maioria das minhas tardes jogando e criando histórias na minha cabeça, já que não entendia inglês, ganhei um Nintendo 64. Me lembro bem do momento que vi a caixa pela primeira vez. Enquanto agradecia incansavelmente meu pai pelo presente, ia abrindo com todo cuidado, deixando com que aquele cheiro de coisa nova me hipnotizasse. Já fora da caixa, meu pai o pegou e me mostrou como instalava na TV. Enfim estava ligado. O logo da Nintendo aparecia na tela, seguido pela icônica saudação do Mario. Meus olhos arregalaram ao ver todas aquelas imagens redondas, vivas e em 3D. 

A partir daquele dia descobri que games não são só uma forma de passar o tempo. Eu via que era muito mais do que só isso. Era uma nova forma de contar histórias, de transmitir ideias, de fugir da realidade, de emocionar e de se fazer arte, onde quem decide qual caminho seguir é você, que está com o controle na mão.

Florença - Minha cidade de outras vidas

Por: Natália Silva Urasaki






Certa vez me disseram que quando você chega em uma cidade pela primeira vez e essa lhe traz uma estranha sensação de já ter pertencido à aquele lugar, de aconchego e de lar é porque em alguma vida passada você habitou esse espaço.


Margem do rio Arno

Minha primeira visita à Florença foi exatamente esse turbilhão de sensações que nem sabia explicar. Fiquei apaixonada logo no caminho do aeroporto até o hotel onde iria encontrar alguns amigos que já estavam na cidade. Minha estadia foi curta, quarto dias apenas, porém o suficiente para visitar alguns dos principais pontos turísticos e outros lugares encantadores.
Sempre fui apaixonada por arte e arquitetura e nenhum lugar conseguiu me sensibilizar tanto quanto a capital do Renascimento.
Era emocionante passear pelas ruas e imaginar a história que já havia se passado naquele lugar, os artistas que ali viveram e uma coleção enorme de obras que deixaram não só para a população de Florença, mas também para toda a humanidade.


Piazza della Signoria

Visitei a Galleria degli Uffizi, o Palácio Pitti, o Palácio Vecchio, Palácio do Riccardi Médici, a Ponte Vecchio, o Jardim de Boboli o Duomo e o Batistério, a Accademia, a Capela dos Médici, a Basílica de Santa Croce e a Igreja de Santa Maria Novella.
Sai de Florença com a satisfação de ter conhecido lugares belíssimos, mas com a promessa de que iria voltar com mais tempo e me perder por todas as ruelas daquela cidade.
Em 2012 surgiu a oportunidade de eu realizar um curso na área de Marketing de Moda e Visual Merchandising na cidade de Florença. Confesso que o local foi fator decisório para que eu embarcasse nessa experiência.
Viver por três meses na capital do Renascimento me deixou mais ainda apaixonada pela arte, pela arquitetura, pela cultura, pela culinária, pela música, pela alegria e pelo povo daquele lugar.


Confraternização do curso

Durante esse período pude também viver mais uma experiência estética incrível que foi a de trabalhar na área de Visual Merchandising. Ter contatos com professores e profissionais tão experientes no asssunto e ter acesso ao mercado de moda italiano, reconhecido no mundo inteiro, foi um grande presente. Pude realizar dois grandes trabalhos que foi a montagem de uma vitrine para uma grife que fazia sua estréia no cenário da moda chamada Vittorio Valerio e ajudar na montagem de uma grandiosa vitrine para a grife Salvatore Ferragamo, que tem sua sede na cidade.
O primeiro trabalho por envolver um orcamento menor foi todo realizado por nós. Usando uma temática mais urbana fizemos vários objetos de cimento como camisetas(o carro chefe da marca), garrafas, vasos, caixas e displays que puderam decorar a vitrine.


Camisetas de cimento para vitrine da Vittorio Valerio

Objetos em cimento para display

Já no segundo trabalho pude conviver com um grupo de profissionais mais experiente e respeitado e com um orçamento que permitia grandes produções.


Visual Merchandising da Salvatore Ferragamo

Durante o tempo meu tempo livre fui descobrindo cada vez mais a cidade e me apaixonando ainda mais.
Em 2013 voltei a cidade com minha família. Eles não conheciam Florença e precisava dividir com eles todo o meu encantamento por aquele lugar.


Minha irmã e eu no duomo de Florença

Sempre que me despeço da cidade tenho certeza que aquele mar de história e arte vai estar ali, sendo vivenciado todos os dias por centenas de turistas que poderão também viver uma inesquecível experiência. 

Por do sol visto da Ponte Vecchio

Uma experiência estética



Por João Paulo B. Belentani



Em 2011, no terceiro ano do ensino médio decidi fazer um intercâmbio e fui para uma cidadezinha em Michigan nos Estados Unidos, onde tive a oportunidade de conhecer um pouco da cultura americana. Foi um experiência bem diferente pois além de estar morando em outro país eu estava morando com outra família, com costumes e um estilo de vida bem diferentes do que eu estava acostumado. 

Com o tempo fui me adaptando, conhecendo novas pessoas, o que foi tornando essa experiência cada vez mais agradável. Alem disso eu tinha um irmão com a mesma idade que eu e nos tornamos grandes amigos.

Foi uma experiência que ficou marcada pois enquanto estive la pude viajar para outros lugares, e conhecer gente do mundo inteiro.

Quando fui embora não foi fácil me despedir de todo mundo e apesar de já terem se passado alguns anos ainda mantenho contato com as pessoas que conheci.


Flower - Uma Experiência Estética




(Escrito por Pedro Paulo de Mello Betez Sae)


Flower é um jogo único. Lançado em 2009, foi o responsável por mudar qualquer conceito que eu tinha sobre um videogame e sobre qualquer produção audiovisual.


Em Flower, assumimos o controle do vento, que é responsável por florescer todas as flores de (inicialmente) um enorme campo cinzento e, assim, devolver-lhe a vida e as cores que um dia provavelmente já teve. A cada flor aberta, uma pétala se junta ao vento e uma nota musical é reproduzida. O início monótono se tranforma rapidamente ao desabrocharmos uma dezena de flores e passarmos a controlar uma bela corrente de pétalas e entendermos que não temos o domínio apenas do espetáculo visual, mas também da trilha sonora, reproduzida a cada flor atingida, uma nota por vez. O objetivo em cada fase é apenas o de abrir um numero suficiente de flores em cada área para que ocorram modificações no cenário e uma nova área possa ser explorada.


Não existem inimigos, “chefes” de fase, quebra-cabeças ou qualquer grande desafio. Nada disso importa aqui. Toda a experiência se apóia no envolvimento do jogador com o ambiente e a exploração do mesmo. Envolvimento esse que ocorre logo de início, já que todos os comandos são realizados ao movimentar o controle do videogame, sendo necessário apenas um botão, à escolha do usuário, para que ocorra o movimento. Não demora até “entrar no clima” e movimentar todo o corpo junto com o controle. O vento não é mais visto como um personagem ou um elemento do cenário,
mas como uma extensão do próprio jogador.



Apesar de ser pouco linear e possibilitar uma grande liberdade de exploração, Flower trata de temas específicos e tem um enredo definido. Cada fase se passa dentro do sonho de uma flor em um apartamento e faz uma critica diferente à poluição e aos problemas ambientais. Conforme avançamos na narrativa, e “salvamos” o mundo dos sonhos, presenciamos mudanças no ambiente em que as flores se encontram.

Flower é uma experiência única. Em sua curta duração, cerca de duas horas, é capaz de despertar os mais diversos sentimentos a quem se entregar a experiência. É relaxante e divertido como poucos, além de trazer uma interação excepcional entre o jogador e seu grande e belo mundo virtual.


Por tudo o que me faz sentir e refletir toda vez em que eu dedico um tempo a ele, considero Flower uma grande experiência estética.








Fiordes - Experiência Estética


Por Pedro Magalhães Andreetta


Minha experiência estética se remete a uma viagem feita sete anos atras para a Noruega. Estava indo visitar minha irmã,  então peguei um trem em Oslo que seguia para Trondheim, oito horas ao norte da capital. Durante o interminável trajeto eu tive uma das maiores experiências estéticas da minha vida, e além disso, passei por uma experiência de entendimento do insignificante tamanho do homem frente ao mundo.
O caminho percorrido entre as duas cidades foi sem dúvida a paisagem mais maravilhosa que já presenciei, o trem fazia seu trajeto à beira de enormes fiordes (braços de mar que se estendem continente a dentro e se desenham aos pés das montanhas), e o tamanho e o impacto de toda aquela natureza foram inesquecíveis para mim, a cor do mar e a dimensão daquelas infindáveis montanhas, algumas cobertas com neve outras verdes, com pequenas casinhas me marcaram por muito tempo.



Durante aquela viagem, eu criei uma possibilidade de percepção que até aquele momento era desconhecida para mim. Como afirma o filósofo Remo Bodei: É como se um espaço livre fosse gerado, dentro do qual as durações e os ritmos são totalmente diferentes daqueles conhecidos em nossa vida cotidiana. Naquele momento me ocorreu um olhar novo sobre o mundo, um sentimento de plenitude, de perfeição. Essa viagem foi algo diferente de tudo que eu já havia vivenciado antes, uma experiência de beleza incomparável, quase mágica, que me faz lembrar até hoje o quão bonita a natureza pode ser, e o quão pequeno nos somos frente a ela.

Cats

Publicado por Carla Nunes Menezes 

Experiência inolvidável vivi em agosto de 2013 em Toronto - Canadá.
Tive a grande e especial oportunidade de prestigiar o musical: Cats. O espetáculo que teve sua estréia em Londres em 1981, e é sucesso da Broadway consagrado por 18 anos em cartaz.
Saber de toda sua trajetória de sucesso envolveu-me de expectativas. E não deu outra! Assim que pisei os pés no teatro inebriei-me com a energia mágica que tomava conta do ambiente como se estivesse transportado-me para um outro universo.
Sentei e brilhantemente surpreendida. O espetáculo começa com os gatos descendo por todas as partes do teatro, e para minha surpresa personagens mais do que bem construídos que, por muitos momentos me fizeram pensar que não eram humanos. Expressão corporal, vocal, figurinos, iluminação,


coreografias refinadas que envolviam sapateado, jazz e contemporâneo me mostraram  a arte de um novo jeito. Dentro daquele universo fantástico percebi o quanto as manifestações de ordem estética podem enriquecer as pessoas, elevar suas almas, trazer novas emoções. Perceber o todo, mas se perceber buscando encontrar as diversas formas e pessoas que existem dentro de nós mesmos.  As cores, o cheiro, as paredes, o cenário, e tudo tão real que consegui buscar dentro de mim a face mais doce e refinada do meu eu/animal, felina, mulher.


Com certeza, "Cats" foi uma experiência estética que muito me tocou, pois de alguma forma colaborou para que eu entendesse através de todas aquelas habilidades o verdadeiro senso de prazer e beleza.
O primeiro ato do espetáculo termina ao som de Memory e, nesse momento estava eu ali ouvindo ao vivo a beleza e profundidade emocional de um som que já foi gravado por mais de 170 artistas. Realmente todo trabalho faz jus ao sucesso de um dos maiores espetáculos dono de mais de 30 prêmios.
Um momento realmente inesquecível, uma oportunidade única que sem dúvidas merece todo nosso respeito e prestígio.


Os Velhos Tempos

     Por Natalia Grecco


     É estranho pensar que o homem está em conflito constante, desde o momento em que desenvolve seu primeiro pensamento, até o último. Sem um momento de realização absoluta. Eu tinha a ignorância de acreditar que as "reais" preocupações chegavam apenas a partir do momento em que tínhamos idade o suficiente para sermos responsáveis, e que a ingenuidade infantil era parente próxima da felicidade. Mas o que não importa em certo momento para certa pessoa, nunca poderá ser avaliado como generalizado. Assim, hoje vejo que nada é realmente banal.
     Quando tinha 10 anos, manifestei várias sensações em um "livrinho" chamado "Minha Vida, Minha História". Hoje, obviamente reagiria completamente diferente às mesmas situações, que passariam até despercebidas; ou se as percebesse, não registraria. Contundo, na leitura desses pequenos textos consigo sentir a vida inserida naquelas páginas, e notar que aquelas preocupações para o "eu criança" não estão em um nível inferior as do "eu atual", como é provável de se achar. As dificuldades vivenciadas naquela época tinham compatibilidade com minha mentalidade, assim como acontece agora.
     Em algum momento eu até chego a citar "Ai, como era bom os velhos tempos!"; o que no momento parece engraçado, já que o que eram velhos tempos para uma criança? A fralda?
     Mais estranho é pensar que daqui a uma década, por exemplo, achar que eu já tinha vivido bastante e que já era adulta o suficiente com meus 18, é uma bobagem. Apesar desse ser um possível pensamento, ele é incorreto. Sim, estamos sempre achando que o que somos agora é o que seremos sempre; mas quando o futuro chega, não é bem assim. Porém, achar isso não é bobagem, pelo contrário. É o que nos faz viver no presente, e não nas expectativas. Logo, apesar de eu não lembrar dos "velhos tempos" de antes dos meus 10 anos, eu sei que, como do modo que fazia mais nova, devo vivenciar o "hoje" como o tempo mais importante. Tentar não diminuir meus problemas, nem minhas felicidades, porque em alguns anos eles serão apenas uma memória nostálgica; desta forma, a hora de valorizá-los é agora.
    Acredito que o que descrevi foi uma experiência estética, pois acidentalmente encontrei essas anotações antigas e as li apenas com curiosidade, e não com a intenção de avaliá-las criticamente. E foi uma sensação incrível, de surpresa e admiração por alguém que, com poucos recursos, escrevia com paixão. Até os erros de português fazem parte da beleza. E agora, no segundo ano da faculdade, só escrevo quando sou exigida. 


     Caso alguém se interesse, segue o livrinho do qual me referi: